'É mesmo tontinho...' pensava ela enquanto ia caminhando para se juntar a ele, no banco de jardim.
'Lá vem aquela chata!' pensou ele quando finalmente reparou que ela estava quase a chegar ao pé dele.
*
Permaneceram em silêncio, depois de um rápido 'Olá'. Então, muito a jeito de vergonha timida, ele falou:
'Olha lá, tu que és rapariga...'
'Que novidade, só agora é que reparaste que sou uma rapariga?' Berrou ela mais para o ar do que para ele 'Eu sabia...' acrescentou num sussurro inaudivel.
'Oh, sim... Quer dizer, nao! Claro que és uma rapariga, mas isso não importa nada...'
'Ah não!? Então se fosse um rapaz...' ia ela começar, mas ele calou-a de seguida:
'Chata! Se fosses um rapaz não serias tão chata, pronto!'
*
Ao fim de alguns e bastantes minutos de silêncio, mais uma vez, ele tentou ver-se livre do seu problema:
'Vá lá, preciso que tu, como RAPARIGA, me digas uma coisa! Mas é uma coisa secreta para um amigo meu, sim? Se ele sabe que ando a perguntar mata-me!'
'Hum, não sei, não sei... Quem é o amigo?' Perguntou ela com a curiosidade a cintilar no olhar. Seria realmente um amigo ou...?
'Não posso dizer! Bolas, pede-se uma ajudinha a uma rapariga e ela pede logo o mundo como preço! Irra! Chatas!' barafustou ele sentindo a frustração crescer um pouco por dentro.
'Ora, então para ajudar tenho que saber mais pormenores, não achas, rapaz tonto!?' Só lhe apetecia meter-se como ele. Queria saber mais, muito mais!
'Tonto!? Ainda por cima chamam-nos nomes! Odeio-te! Odeio raparigas...' murmurou ele entre dentes, de ombros descaidos em sinal de rendição.
'Ah, odeias... Bem, ok, se calhar é melhor eu ir andando. Lamento por não conseguir ajudar-te, então. Quer dizer, ajudar o teu amigo, enfim...' Claro que não estava ofendida, mas quando viu a expressão de desalento dele decidiu deixar as descobertas para mais tarde. Era melhor, talvez.
*
Unicamente quando ela já estava a uns 5 metros dele, é que ele resolveu ir atrás dela e voltar a tentar.
'Pronto, eu despacho-me!'
'Ah, viva! Assim já devo conseguir ajudar. Diz lá, então, o problema do... amigo!' Ela já sorria novamente. Era giro este jogo do quer e não quer. Do vai e não vai. Do mistério e da descoberta.
'Bem, é... Bom, é que, talvez... Olha ele tem, assim... Ele quer saber...' Ok, se calhar não conseguia perguntar-lhe, a ela!
'Hum... disseste que te ias despachar!' Como ela se ria por dentro!
'Ele quer saber o que tem que fazer para beijar uma rapariga!' Despachou-se ele, finalmente, quase aos berros.
'O quê!?' Tudo lhe passara pela cabeça. Tudo menos aquilo!
'É isso... Diz lá!'
'Isso não é assim! Quer dizer, primeiro tens que fazer a rapariga sorrir... E vão dar um passeio pelo jardim... E...' Que mais? Parece simples mas não é.
'Tanta coisa!? Chatas! Irra, mas como se faz uma rapariga sorrir assim de repente?... Achas que assim uma graça parva servia?' O coração dele batia tanto que ele temia que ela o ouvisse.
'Serve, se for uma boa graça parva, claro!' Soltou um risinho, mas não tinha bem a certeza que tal ideia resultasse mesmo.
'Então se eu disser uma gracinha assim parva mas mesmo boa achas que consigo beijar uma rapariga?' A confiança voltara!
'Assim tão depressa não, mas já é qualquer coisa, acho eu...'
'Hum, então acho que vou conseguir beijar a Jacinta, aquela que tem piolhos e assim uns dentes podres e é gorda como uma baleia!' Gritou ele com o maior sorriso do mundo e os braços no ar em sinal de vitória!
'Que horror!!' Só de pensar em tanto trabalho para beijar a Jacinta!
*
Ela virou as costas e correu em direcção a casa deixando-o rapidamente, tal era o horror.
'Que rapaz tão tontinho...' pensava ela enquanto corria sem olhar uma única vez para trás.
'Bolas!... Eu tinha a parte do jardim, mas parece que a gracinha parva não foi tão boa como eu pensava...' Disse ele para si mesmo vendo-a já longe.
Mas ela ria. Ria bastante por dentro, tal era o horror de gracinha!
'Lá vem aquela chata!' pensou ele quando finalmente reparou que ela estava quase a chegar ao pé dele.
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Permaneceram em silêncio, depois de um rápido 'Olá'. Então, muito a jeito de vergonha timida, ele falou:
'Olha lá, tu que és rapariga...'
'Que novidade, só agora é que reparaste que sou uma rapariga?' Berrou ela mais para o ar do que para ele 'Eu sabia...' acrescentou num sussurro inaudivel.
'Oh, sim... Quer dizer, nao! Claro que és uma rapariga, mas isso não importa nada...'
'Ah não!? Então se fosse um rapaz...' ia ela começar, mas ele calou-a de seguida:
'Chata! Se fosses um rapaz não serias tão chata, pronto!'
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Ao fim de alguns e bastantes minutos de silêncio, mais uma vez, ele tentou ver-se livre do seu problema:
'Vá lá, preciso que tu, como RAPARIGA, me digas uma coisa! Mas é uma coisa secreta para um amigo meu, sim? Se ele sabe que ando a perguntar mata-me!'
'Hum, não sei, não sei... Quem é o amigo?' Perguntou ela com a curiosidade a cintilar no olhar. Seria realmente um amigo ou...?
'Não posso dizer! Bolas, pede-se uma ajudinha a uma rapariga e ela pede logo o mundo como preço! Irra! Chatas!' barafustou ele sentindo a frustração crescer um pouco por dentro.
'Ora, então para ajudar tenho que saber mais pormenores, não achas, rapaz tonto!?' Só lhe apetecia meter-se como ele. Queria saber mais, muito mais!
'Tonto!? Ainda por cima chamam-nos nomes! Odeio-te! Odeio raparigas...' murmurou ele entre dentes, de ombros descaidos em sinal de rendição.
'Ah, odeias... Bem, ok, se calhar é melhor eu ir andando. Lamento por não conseguir ajudar-te, então. Quer dizer, ajudar o teu amigo, enfim...' Claro que não estava ofendida, mas quando viu a expressão de desalento dele decidiu deixar as descobertas para mais tarde. Era melhor, talvez.
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Unicamente quando ela já estava a uns 5 metros dele, é que ele resolveu ir atrás dela e voltar a tentar.
'Pronto, eu despacho-me!'
'Ah, viva! Assim já devo conseguir ajudar. Diz lá, então, o problema do... amigo!' Ela já sorria novamente. Era giro este jogo do quer e não quer. Do vai e não vai. Do mistério e da descoberta.
'Bem, é... Bom, é que, talvez... Olha ele tem, assim... Ele quer saber...' Ok, se calhar não conseguia perguntar-lhe, a ela!
'Hum... disseste que te ias despachar!' Como ela se ria por dentro!
'Ele quer saber o que tem que fazer para beijar uma rapariga!' Despachou-se ele, finalmente, quase aos berros.
'O quê!?' Tudo lhe passara pela cabeça. Tudo menos aquilo!
'É isso... Diz lá!'
'Isso não é assim! Quer dizer, primeiro tens que fazer a rapariga sorrir... E vão dar um passeio pelo jardim... E...' Que mais? Parece simples mas não é.
'Tanta coisa!? Chatas! Irra, mas como se faz uma rapariga sorrir assim de repente?... Achas que assim uma graça parva servia?' O coração dele batia tanto que ele temia que ela o ouvisse.
'Serve, se for uma boa graça parva, claro!' Soltou um risinho, mas não tinha bem a certeza que tal ideia resultasse mesmo.
'Então se eu disser uma gracinha assim parva mas mesmo boa achas que consigo beijar uma rapariga?' A confiança voltara!
'Assim tão depressa não, mas já é qualquer coisa, acho eu...'
'Hum, então acho que vou conseguir beijar a Jacinta, aquela que tem piolhos e assim uns dentes podres e é gorda como uma baleia!' Gritou ele com o maior sorriso do mundo e os braços no ar em sinal de vitória!
'Que horror!!' Só de pensar em tanto trabalho para beijar a Jacinta!
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Ela virou as costas e correu em direcção a casa deixando-o rapidamente, tal era o horror.
'Que rapaz tão tontinho...' pensava ela enquanto corria sem olhar uma única vez para trás.
'Bolas!... Eu tinha a parte do jardim, mas parece que a gracinha parva não foi tão boa como eu pensava...' Disse ele para si mesmo vendo-a já longe.
Mas ela ria. Ria bastante por dentro, tal era o horror de gracinha!
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