Amanhã já não estás cá.
Hoje é Domingo e apreciamos o sabor de um fim de almoço num dia de sol, sem nuvens, com uma brisa suave de Verão à mistura. A luz agradável que entra pela sala realça os teus olhos e deixa no teu rosto uma bela sombra que acentua os teus traços. Dentro de mim cresce uma vontade de me levantar e abraçar-te, percorrer os teus braços com as minhas mãos amantes e deixar-te um beijo atrás da orelha. Faço-o na minha imaginação, enquanto olho para ti. Como é adorável a tua expressão quando te dás conta de que te admiro...
Tempo é o que nos falta, meu amor. Falta-nos tempo no mundo real, de preocupações e responsabilidades. Queriamos nós viver no interior de nós e voar além fronteiras. Temos que nos conformar com as distâncias que nos costumam separar e com as quais temos que viver.
Costumamos dizer "Pelo Bem Maior". Os sonhos nem sempre vivem de mão dada com as paixões. Queria tanto poder dedicar-me a nós neste fim de tarde azulado e roxo, mas tenho trabalho...
*
De repente, sinto que deixo ficar a papelada para trás, na mesa, e dirijo-me a ti. Beijamo-nos longamente. Ternamente insisto para que relaxes e esvazies a mente. Ponho a tua pele ao ar livre e massajo-te cada musculo do teu corpo, com individual devoção. Sorris e ao suspirares mostras que te estou a fazer um bem muito necessário. O teu corpo cansado pede mais do que serias capaz de admitir e, como eu bem sei, vou de encontro à tua necessidade sem que tenhas que o dizer.
Por fim, ficamos ali, sentados no sofá a ver uma comédia na televisão. A minha cabeça repousa no teu peito e o resto do meu corpo estende-se pelo sofá. Tu estás sentado de lado, com o braço direito por cima do meu ombro, fazendo-me festas na cintura com a mão.
De longe, oiço-te dizer Adeus. Sorris e olhas para a janela.
*
Acordo com um torcicolo. Já é quase hora de jantar e eu estou estendida em cima da secretária. Há folhas pelo chão à minha volta. Seguem-se aqueles segundos de confusão, característicos de quando o estado de dormência é interrompido. Porém, o luar a incidir no teu retrato aviva-me a alma. Já não estás cá. Deixaste-me adormecida, foste embora sem dizer Adeus. Não me acordaste, pois também tu adivinhas a minha necessidade de repousar. Sabemos que não é necessário dizer Adeus nem Até à próxima. Estamos sempre juntos.
Encosto-me relaxada para trás na cadeira e observo a noite durante uns minutos. Pelo canto do olho, reparo que o livro que tenho lido ultimamente está à beira da secretária, mantido aberto por algo que o impede de se fechar. Levanto-me e vou espreitar. Uma rosa. Vermelha. Não estás cá.
Nunca te esqueces que dia é hoje. E, assim, ficas sempre comigo...
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